
Acabo o cigarro a olhar o espelho, no meu rosto sente-se o fumo a queimar a boca, os meus lábios são finos demais para o fogo, a barba e o queixo, passo a mão sobre a minha face, até amanhecer, na esperança de não ter de voltar a este processo amanhã.
Sonho com espelhos. De manhã encontro animais, impressos nas nuvens.
Pulmões e sangue geledo e permaneço sempre em convalescência, sem parar, todos à minha volta encaram um estado semelhante. Mexo as pernas sem cessar, elas arrebentam de estrias, fendas. Percorro as estradas, ando para a frente e para trás incessantemente, entro no coro cínico das auto-estradas e num inferno particular encontro a solidez.
Ainda vejo o meu ser nas bermas e nos passeios, sumindo de si mesmo.

